Por Fredi Jon
Naquele Dia dos Pais, a família imaginava apenas uma serenata.
Quando os músicos terminaram a última canção, houve aplausos, abraços e aquele silêncio bonito que costuma aparecer quando alguma coisa toca mais fundo do que esperávamos.
O pai sorriu. Olhou para os filhos, respirou devagar e tirou do bolso uma folha dobrada.
— Eu escrevi isso para vocês.
E começou a ler:
“Meus filhos,
Hoje eu estava pensando em quanto tempo já caminhamos juntos. É curioso… a gente passa tantos anos tentando ensinar os filhos a andar e, quando percebe, são eles que começam a ensinar a gente a olhar.
Não quero deixar grandes lições porque, afinal, a vida já tem professores demais.
Quero apenas que vocês se lembrem das pequenas coisas.
De tratar bem quem não pode oferecer nada em troca. De saber pedir desculpas,, de não ter vergonha de abraçar, de chegar em casa e perguntar como foi o dia de quem está esperando.
É aí que uma família se constrói.
E talvez seja assim também que uma sociedade muda: não nas grandes frases, mas no jeito como cada um escolhe tratar o outro quando ninguém está olhando.
Vocês vão errar, eu também errei.
Vão encontrar dias difíceis. Alguns vão parecer maiores do que realmente são, outros vão deixar marcas. Mas não tenham medo da caminhada, ela não precisa ser perfeita para ser bonita.
E quando a vida lhes der a oportunidade de formar uma família, não tentem construir uma casa onde ninguém discorde.
Construam uma onde todos possam voltar, no fim, o que importa não é quantas coisas conseguimos guardar.
É quantas pessoas conseguiram se sentir amadas enquanto caminhavam conosco.
Eu ainda tenho muito caminho pela frente. E espero continuar rindo com vocês, aprendendo com vocês e, vez ou outra, dando aquelas opiniões que ninguém pediu.”
Ele parou, os filhos riram e choraram.
O pai também.
Dobrou a carta, guardou no bolso e abriu os braços.
Naquele instante, ninguém estava pensando no passado.
A serenata havia terminado, os músicos já guardavam seus instrumentos, mas ninguém parecia ter pressa de ir embora.
Talvez porque algumas músicas terminem quando o último acorde desaparece. Outras continuam dentro da gente.
E aquela serenata não tinha vindo apenas para celebrar um pai.
Tinha vindo para lembrar a todos que, enquanto houver tempo, há uma canção que ainda pode ser cantada, um abraço que ainda pode acontecer, uma palavra que ainda pode ser dita.
Naquela noite, os filhos não levaram apenas a lembrança de uma serenata de Dia dos Pais.
Levaram a voz do pai dentro deles, e descobriram que certas canções não são feitas para terminar. São feitas para atravessar gerações.
Feliz Dia dos Pais da Serenata & Cia –
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